
Queria ser rio, profundo...
Fazer meandros por seus segredos
Ser sempre novo e perene...
Lavando na correnteza seus medos
Correr enquanto o tempo esgota
As rupturar de uma alma febril
Queria ser foz, ilha ou fonte...
E nos mirantes do meu peito aflito
Rabiscar teu nome na areia do infinito
Queria até ser chuva
Lavando tuas costas nuas
Coxas duras, fronte, becos e ruas
Mas a vida fez-me queda d'água
Explodindo em fé...
Acariciando os rochedos das dúvidas
Arrancando os galhos do que não me pertence
De tudo que não sinto...
E depois, talvez, açude ou bacia...
Represa de tanto sentir.
Alyne Costa
Brumado, 13 de setembro de 2006
Foto: Cachoeira do Fraga- Rio de Contas, by Alyne Costa