
Quando entristeço minh’alma cora
Escrevo ora como muda, noutras santa
De certa forma algo me acalanta
Não sei os pássaros que visitam meu muro
Faltam plantinhas
Falta ainda aprender bordar toalhas de sonhos
Falta tanto da mulher que vive em mim
Quando alegreço, surto
Canto cantigas
Disparo a namorar
Faço viagens a reinos não fundados
Peregrino em mim
Em tanta dúvida e correnteza
E as palavras navegam em minha mente
Ela, a palavra me desmente
E rompo rótulos
Mas respeito traduções e rituais
Bruxa ou santa?
Doce ou seca?
Moça ou velha?
O espelho assusta:
Vou ficar uma coisa horrível.
E resolvo passear por Jerusalém
Meu Deus do céu para que tanta cruz?
Bonitos são os sagrados corações –
De Maria e de Jesus.
Coisa boa pra moça velha é passear de cruzeiro.
Coisa boa pra moça velha e preparar enxoval.
Ai começo a cuidar do meu:
Paninhos de ponto de cruz
Toalhas de richiliê...
Muito crochê, lençol branco com as iniciais bordadas.
E começo a trezena de Santo Antônio.
Peço um moço pálido, sem cicatriz.
Um moço sabido e que saiba tocar piano.
Um moço de anel.
E penso nas flores, nas crianças indo ao jardim de infância...
Nas visitas em casa, nas xícaras de café.
Ai me imagino, meu Deus...
Meu delírio é a vapor.
Isso é canto pra moça que nunca casou.
Marido bom a gente inventa.
Alyne Costa
Escrevo ora como muda, noutras santa
De certa forma algo me acalanta
Não sei os pássaros que visitam meu muro
Faltam plantinhas
Falta ainda aprender bordar toalhas de sonhos
Falta tanto da mulher que vive em mim
Quando alegreço, surto
Canto cantigas
Disparo a namorar
Faço viagens a reinos não fundados
Peregrino em mim
Em tanta dúvida e correnteza
E as palavras navegam em minha mente
Ela, a palavra me desmente
E rompo rótulos
Mas respeito traduções e rituais
Bruxa ou santa?
Doce ou seca?
Moça ou velha?
O espelho assusta:
Vou ficar uma coisa horrível.
E resolvo passear por Jerusalém
Meu Deus do céu para que tanta cruz?
Bonitos são os sagrados corações –
De Maria e de Jesus.
Coisa boa pra moça velha é passear de cruzeiro.
Coisa boa pra moça velha e preparar enxoval.
Ai começo a cuidar do meu:
Paninhos de ponto de cruz
Toalhas de richiliê...
Muito crochê, lençol branco com as iniciais bordadas.
E começo a trezena de Santo Antônio.
Peço um moço pálido, sem cicatriz.
Um moço sabido e que saiba tocar piano.
Um moço de anel.
E penso nas flores, nas crianças indo ao jardim de infância...
Nas visitas em casa, nas xícaras de café.
Ai me imagino, meu Deus...
Meu delírio é a vapor.
Isso é canto pra moça que nunca casou.
Marido bom a gente inventa.
Alyne Costa
Brumado, 15 de fevereiro de 2007